EUA usam universidade "fake" para capturar imigrantes ilegais

Questão de Fato
2 dez 2019
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Almirante Akbar

 

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos manteve, durante três anos, uma universidade “fake”, no estado de Michigan, com o objetivo de atrair e capturar imigrantes ilegais. De acordo com nota recente no Chronicle of Higher Education, pelo menos 90 pessoas foram presas nos últimos meses, e no total a operação deteve 250 suspeitos.

Autoridades defenderam a operação – que envolveu estabelecer uma identidade online para a fictícia “University of Farmington” e a cobrança de anuidades de US$ 12 mil dos suspeitos/vítimas – alegando que a instituição era obviamente falsa (não contava, por exemplo, com instalações físicas, com o laboratórios e salas de aula) e portanto todas as pessoas que se matricularam lá agiram de má-fé, em busca de documentos para manter seus vistos válidos.

“... a universidade estava sendo usada por cidadãos estrangeiros como um esquema ‘pagar para ficar’, que permitia que esses indivíduos permanecessem nos Estados Unidos como resultado da falsa alegação de que estavam matriculados como estudantes de tempo integral”, diz o indiciamento.

Segundo o jornal The Detroit News, depois que as acusações foram apresentadas formalmente, a página da universidade no Facebook passou a publicar memes como o do Almirante Akbar (que pode ser visto ilustrando estra nota).

Mas parte do material promocional divulgado pelo “reitor” da falsa instituição falava em “calendários de aulas flexíveis”, o que, segundo advogados, pode ter induzido estudantes de boa-fé ao erro.

De acordo com informações das autoridades de imigração, cerca de 80% dos detidos tiveram permissão para deixar voluntariamente os Estados Unidos. Ao todo, mais 600 pessoas, a maior parte de origem indiana, matricularam-se na “University of Farmington”, que operou de 2015 até janeiro deste ano. 

 

Carlos Orsi é jornalista e editor-chefe da Revista Questão de Ciência

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