Não existe colágeno que "funciona" para a pele

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16 mar 2026
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pó de colágeno na água

 

Antes de começar a escrever para a RQC, eu já era — e continuo sendo — um grande fã de quase todos os artigos publicados. Quando me lembro da época em que apenas acompanhava como leitor, um texto em especial me marcou: “Engolir colágeno não vai acabar com as rugas”, escrito por Alicia Kowaltowski, professora de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade de São Paulo.

Ele foi especial por um motivo simples. Quando o li, no final de 2018, estava no terceiro semestre de Nutrição. Embora fosse comum entre nós a brincadeira de que, em vez de gastar com colágeno, as pessoas poderiam consumir gelatina por uma fração do preço — com muito mais sabor e, supostamente, o mesmo efeito (ou seja, nenhum) —, reconheço que minha base teórica para sustentar a crítica era muito mais uma reprodução do discurso dos professores do que um entendimento sólido do porquê a alegação não fazia sentido. O artigo serviu justamente para preencher essa lacuna.

Para quem ainda não leu, recomendo. Aqui, limito-me a uma síntese: o colágeno não “funciona” para melhorar a pele porque, como qualquer proteína, ao ser ingerido, é degradado no trato gastrointestinal em aminoácidos e pequenos peptídeos. Essas unidades entram na corrente sanguínea sem qualquer “GPS” biológico que as direcione especificamente para a pele. Elas serão utilizadas conforme as necessidades metabólicas do organismo — não necessariamente para aumentar a produção de colágeno endógeno, ou suavizar rugas.

O texto também explica por que não faz sentido consumir grandes quantidades de whey protein — ou de qualquer outra proteína — na ausência de estímulo adequado, como o exercício físico, esperando ganho de massa muscular. Sem o contexto metabólico apropriado, o excedente proteico não se converte magicamente em músculo; pode, dependendo do balanço energético, contribuir para aumento de gordura corporal.

Dentro da faculdade, havia uma minoria que discordava dessa visão. Fora dela, porém, trabalhando em loja, presenciei diariamente o quanto evidências científicas pesam pouco diante de heurísticas e falácias bem estabelecidas. Quando explicava que o suplemento não era superior à gelatina comum, ouvia respostas previsíveis: “Mas foi meu nutricionista que recomendou” (apelo à autoridade); “Minha amiga está usando e a pele dela está ótima” (experiência anedótica combinada com a falácia post hoc ergo propter hoc); e “Vi vários médicos citando estudos mostrando melhora na pele” (apelo à autoridade somado a cherry-picking de evidências favoráveis).

Infelizmente, do ponto de vista econômico, o colágeno segue como uma das grandes apostas do setor. Segundo a Future Market Insights, o mercado global de suplementos de colágeno continua em expansão, impulsionado pela crescente valorização da saúde preventiva, pela demanda por proteínas e pelo apelo dos nutracosméticos — a ideia de “beleza de dentro para fora”. Em 2025, o setor está estimado em US$ 1,8 bilhão, com projeção de alcançar US$ 3,3 bilhões até 2035. O segmento líder é a gelatina (46,3%).

No Brasil, a Deep Market Insights estima que o mercado de suplementos de colágeno atingiu US$ 50,42 milhões em 2024 e pode chegar a US$ 71,16 milhões até 2033. A principal aplicação continua sendo estética — pele, unhas e cabelo —, um indicativo de que, embora frequentemente contestado no meio acadêmico, o produto expandiu sua base de consumidores.

Esse crescimento não ocorre por acaso. A indústria de suplementos utiliza estratégias já discutidas anteriormente na RQC para aumentar a percepção de eficácia e confiabilidade: apresentação sugestiva do produto; combinação de ingredientes que permitem alegações aprovadas a outros que não as permitem; e patrocínio de influenciadores que descrevem o suplemento como divisor de águas em sua saúde.

O colágeno, entretanto, ocupa uma posição peculiar. Apesar de também se beneficiar de estratégias de marketing — influenciadores exibindo pele “mais firme” e nomes sugestivos como Collagen Beauty Drink —, o painel Power BI da Anvisa sobre constituintes e alegações aprovadas permite que tanto o colágeno hidrolisado (uma versão do colágeno que foi “pré-digerido”, quebrado em cadeias moleculares menores) quanto certos derivados de colágeno hidrolisado, como os usados em produtos na patente Verisol usem alegações específicas em sua publicidade. O primeiro pode declarar ser fonte de proteínas ou que proteínas auxiliam na formação de músculos e ossos; o segundo pode alegar que auxilia na manutenção da saúde da pele.

Apesar da anuência da Anvisa, a evidência de que o colágeno Verisol seja eficaz para a pele é inadequada, por razões que veremos a seguir.

 

A eficácia

Verisol é uma patente tecnológica da Gelita, uma gigante do ramo de gelatina e colágeno, que explorou uma demanda do setor entre 2010 e 2012: os produtos “beauty from within” — ou “beleza de dentro para fora”. O Verisol foi o que mais ganhou destaque no mercado, impulsionado por alegações de potencializar a produção de colágeno na pele, algo que os colágenos convencionais não conseguiriam gerar.

Investigando a fundo, com base em e-books da própria Gelita, o Verisol — uma composição específica de fragmentos bioativos de colágeno — é descrito como o único ingrediente no mercado capaz de estimular os fibroblastos (células responsáveis por produzir colágeno) do corpo. Benefícios derivados dessa ação incluiriam redução das linhas finas e rugas, aumento da elasticidade da pele, redução da celulite, aumento da espessura do cabelo e fortalecimento das unhas.

Como de praxe nesses e-books promocionais, também há menções a diferentes pesquisas científicas. Por exemplo, cita-se a pesquisa publicada em 2014 e intitulada “Oral Intake of Specific Bioactive Collagen Peptides Reduces Skin Wrinkles and Increases Dermal Matrix Synthesis”.  Trata-se de um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo com 108 mulheres, com idades entre 45 e 65 anos, que avaliou rugas e biópsias de antebraço em quatro momentos: ao início do estudo, quatro e oito semanas de suplementação e quatro semanas pós-intervenção.

Como resultado, o grupo intervenção apresentou redução média de 7,2% no volume das rugas; após oito semanas, a redução média foi de 20,1%, havendo casos individuais que chegaram a apresentar redução máxima de até 49,9%.

Com base nos achados, conclui-se que a ingestão oral de colágeno levou a uma redução pronunciada e estatisticamente significativa do volume das rugas. Além disso, ressalta-se que os resultados apresentados seriam válidos apenas para a composição específica do Verisol.

Apesar da metodologia, o estudo carece de transparência: não declara conflitos de interesse, fontes de financiamento ou limitações. O artigo publicado falha em mencionar que um dos autores   (V. Zague) tinha vínculo com a Gelita e o outro (S. Oesser) é coinventor do Verisol.

Para além dos conflitos de interesse não declarados, há limitações técnicas que reduzem o nível de confiança nas conclusões apresentadas. A amostra final foi de 108 participantes e apresentou alta variabilidade intragrupo nos valores de volume de rugas. Essa heterogeneidade sugere grande dispersão individual nas respostas, o que pode explicar a ocorrência de reduções máximas de até 49,9%, enquanto a média ao final do tratamento foi de aproximadamente 20%. Sem análises de subgrupo ou estratificação por severidade inicial, não é possível determinar se o efeito foi distribuído de forma relativamente homogênea ou se foi impulsionado por subgrupos específicos.

Também não houve monitoramento da dieta e a adesão às restrições comportamentais foi verificada principalmente por autorrelato.

Por fim, a principal limitação, a meu ver, é o fato de que o estudo, embora se autodenomine duplo-cego e randomizado, não descreve detalhadamente o método de geração da sequência aleatória, os mecanismos de ocultação da alocação ou a forma como o cegamento foi operacionalizado (participantes, investigadores e avaliadores). Essa ausência de detalhamento abre a possibilidade de viés de seleção — em que pesquisadores podem influenciar qual participante vai para qual grupo — e de viés de aferição — em que a avaliação dos desfechos pode ser conduzida de maneira diferente entre os grupos.

Limitações semelhantes apareceram em outro estudo sobre o Verisol, desta vez voltado à saúde das unhas: “Oral supplementation with specific bioactive collagen peptide improves nail growth and reduces symptoms of brittle nails”. A pesquisa avaliou se a ingestão diária de 2,5 g de Verisol por seis meses melhoraria os sintomas de unhas frágeis, além de estimular o crescimento e a resistência.

Ao final do estudo — e nas quatro semanas seguintes — foram relatados efeitos positivos no grupo de intervenção.

Diferentemente do estudo anterior, este apresenta um breve — e relativamente brando — parágrafo de limitações. Reconhece que, por se tratar de ensaio aberto e não controlado, há risco de vieses metodológicos, como viés de seleção e de aferição, além da impossibilidade de excluir completamente mudanças comportamentais como fator de influência.

Entretanto, há fragilidades não declaradas que merecem destaque. O estudo não descreve como foi avaliada a adesão das participantes — apesar de esta ser uma das medidas anunciadas na metodologia. Sem essa informação, não é possível determinar se os resultados decorreram de consumo consistente do suplemento ou se refletem variáveis de confusão. Soma-se a isso o fato de que alguns dos desfechos considerados mais relevantes — como “melhora global” e percepção de crescimento — são altamente subjetivos.

Mais uma vez, a participação de V. Zague e S. Oesser entre os autores não é tratada como conflito de interesse.

 

Revisões sistemáticas

Até o momento, não há revisão sistemática que tenha adotado como critério de inclusão exclusivamente estudos com o colágeno Verisol. O mais próximo disso são revisões que analisam diferentes protocolos e tipos de colágeno hidrolisado, caso do artigo “Effects of hydrolyzed collagen supplementation on skin aging: a systematic review and meta-analysis”.

Neste, 19 estudos (1.125 participantes) foram incluídos, com média etária próxima a 50 anos e predominância feminina (95%). A duração variou entre 4 e 16 semanas, com ampla heterogeneidade tanto nas formulações quanto nos métodos de avaliação.

A metanálise indicou melhora significativa no grupo suplementado quanto à hidratação, elasticidade, densidade cutânea e redução de rugas.

As análises de subgrupos revelaram alguns pontos relevantes: para hidratação, apenas os cinco estudos que utilizaram método expresso em micrômetros mostraram diferença significativa; para elasticidade, somente os estudos que a mensuraram em megapascals (unidade utilizada para expressar pressão e resistência mecânica) apresentaram efeito favorável; estudos que utilizaram outras unidades ou métodos não demonstraram benefício.

Apenas uma das análises de sensibilidade observou influência direta no resultado geral. No caso, trata-se de um estudo que avaliou a hidratação da pele após a administração combinada de colágeno e coenzima Q10 — tema que, inclusive, já foi discutido aqui na RQC.

Os autores concluem que, apesar da heterogeneidade, os peptídeos de colágeno podem melhorar sinais de envelhecimento cutâneo, com efeitos observáveis em cerca de 90 dias e mantidos por até quatro semanas após a interrupção. A suplementação foi considerada segura, sem relatos de eventos adversos relevantes. Ainda assim, reconhecem a necessidade de estudos mais longos e que avaliem a coadministração com outros compostos.

Entre as limitações destacam-se a heterogeneidade metodológica — especialmente nas formulações e nos métodos de avaliação — e a ausência de detalhamento consistente sobre hábitos de vida, fator que pode influenciar significativamente a saúde da pele.

Contudo, a meu ver, a principal limitação da revisão foi não ter conduzido uma análise sistemática sob a perspectiva de financiamento e conflitos de interesse. A partir disso, analisei os artigos inseridos na revisão e constatei que dois estudos classificados como de baixo risco (Czajka, 2018; Koizumi, 2017) foram financiados por fabricantes de colágeno, com pesquisadoras funcionárias das próprias empresas. Embora isso não invalide automaticamente os achados, levanta a possibilidade de superestimação dos efeitos e reforça a necessidade de cautela.

Revisão sistemática publicada em setembro do ano passado, intitulada “Effects of Collagen Supplements on Skin Aging: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials” dialoga diretamente com as limitações já discutidas.

Os autores analisaram 23 ensaios clínicos randomizados, totalizando 1.474 participantes, com acompanhamento médio de 12 semanas e dose média de 3,1 g/dia de colágeno. Diferentemente de análises anteriores, incorporaram explicitamente a avaliação da fonte de financiamento e da qualidade metodológica como eixos centrais da interpretação.

Quanto à qualidade, 13 estudos foram considerados de boa qualidade e 10 apresentaram “algumas preocupações”. As metanálises iniciais indicaram melhora significativa na hidratação, elasticidade e aparência das rugas com a suplementação.

Contudo, a análise de sensibilidade revelou um ponto crucial: ao excluir os estudos com efeitos extremamente favoráveis — curiosamente, Koizumi (2017) e Czajka (2018), mencionados anteriormente —,os resultados permaneceram estatisticamente significativos para hidratação e elasticidade, mas com redução substancial dos tamanhos de efeito. Quando apenas o estudo de Koizumi foi removido, a melhora nas rugas deixou de ser estatisticamente significativa.

As metanálises de subgrupos observaram que apenas o colágeno derivado de peixe, em mulheres, esteve consistentemente associado à melhora na hidratação, elasticidade e rugas.

Além disso, ao analisar a forma de administração, verificou-se que apenas as bebidas contendo colágeno demonstraram melhora significativa na hidratação e elasticidade, enquanto comprimidos e pó não resultaram em benefícios estatisticamente significativos.

Na análise segundo a fonte de financiamento, os estudos que não receberam financiamento não demonstraram efeito da suplementação de colágeno para os desfechos avaliados. Em contrapartida, os estudos financiados relataram melhora consistente na hidratação, elasticidade e rugas.

De forma semelhante, na metanálise por subgrupos segundo a qualidade metodológica, os estudos classificados como de alta qualidade não demonstraram efeito significativo da suplementação de colágeno para nenhum dos desfechos, enquanto os de baixa qualidade evidenciaram melhora significativa apenas para elasticidade.

A partir desses achados, os autores concluem que, embora ensaios clínicos prévios e metanálises tenham relatado consistentemente que a suplementação de colágeno melhora propriedades da pele, a presente análise revelou que tais efeitos benéficos não se mantiveram quando considerados apenas estudos sem financiamento da indústria ou aqueles de alta qualidade metodológica.

Além disso, destaca-se que, até o momento, não há explicações fisiológicas plausíveis claramente estabelecidas para a ausência de efeito consistente dos suplementos de colágeno sobre o envelhecimento cutâneo. Da mesma forma, permanece incerto como o organismo humano poderia direcionar especificamente os aminoácidos e peptídeos derivados do colágeno hidrolisado ingerido para a pele, resultando em aumento seletivo do conteúdo de colágeno dérmico.

Na minha avaliação, a hipótese mais plausível para explicar por que o colágeno tende a “funcionar” apenas em estudos financiados ou metodologicamente mais frágeis é simples: ensaios mais rigorosos controlam melhor variáveis de confusão — como estilo de vida, exposição solar, ingestão alimentar — além de apresentarem maior rigor em randomização, mensuração de desfechos e transparência analítica. Sem financiamento industrial ou vínculos diretos com fabricantes, também se reduz a probabilidade de superestimação de efeitos e interpretações excessivamente favoráveis.

Em outras palavras, quando o tema é colágeno, os benefícios aparecem de forma consistente apenas quando os estudos são pequenos, frágeis ou financiados por partes interessadas. Quando o rigor metodológico aumenta e os conflitos de interesse diminuem, o efeito tende a encolher e, na maioria dos casos, a desaparecer.

Mauro Proença é nutricionista

 

REFERÊNCIAS

KOWALTOSKI, A. Engolir colágeno não vai acabar com as rugas. 2018. Disponível em: https://www.revistaquestaodeciencia.com.br/artigo/2018/11/28/engolir-colageno-nao-vai-acabar-com-rugas.

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