Crescimento exponencial da COVID-19 não é "fantasia"

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22 mar 2020
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Virus p&b

 

Há 317.308 casos e 13.642 mortes. Essas eram as estimativas do impacto global atual da doença COVID-19 às 10h41 do dia 22/03/020, quando comecei a escrever este artigo. O Gráfico 1 ilustra a evolução do número de casos diagnosticados, no mundo e na China, entre 31/12/2019 e 21/03/2020. 

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Duas informações importantes aqui. A primeira é a velocidade do aumento da quantidade de casos no mundo (linha azul). É o que os estatísticos chamam de crescimento exponencial. Como a mensuração é diária, isso quer dizer que a cada novo pôr do sol, o número de pessoas infectadas cresce num ritmo cada vez mais rápido[ii]. Por sua vez, a linha vermelha ilustra o comportamento dos casos diagnosticados na China. 

Observe que, a partir de meados de fevereiro (dia 13, para ser mais preciso), a velocidade do contágio começa a cair. Temos, então, uma desaceleração do crescimento. A linha pontilhada representa esse ponto de inflexão. 

Em síntese, considerando os dados oficiais, enquanto o mundo está ficando cada vez mais infectado, a China conseguiu, momentaneamente, reduzir a intensidade do contágio. O Gráfico 2 ilustra a evolução do número de casos diagnosticados nos cinco países com a maior quantidade absoluta de infectados (excluindo a China).

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De acordo com a última mensuração, a Itália contava com 47.021 casos confirmados. Hoje, conforme estimativas do https://www.worldometers.info/coronavirus/, já são 53.578, o que representa um aumento de quase 14% em um dia. Nos Estados Unidos, o número de infectados passou de 19.624, ontem, para 26.909, o que significa um aumento de 37%. Neste exato momento, a Espanha se aproxima de 30 mil casos, e o Irã já rompeu a barreira dos 22 mil. 

No Brasil, o registro do primeiro caso se deu em 25/02/2020. Desde então, o crescimento segue uma velocidade assustadora. O Gráfico 3 ilustra essas informações. 

 

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O último registro da base de dados (20/03/2020) apontava 904 casos confirmados em todo território nacional. As estimativas mais recentes, todavia, indicam que esse número já ultrapassou a marca de 1.200 pessoas. Para se ter uma ideia da gravidade, vamos examinar o crescimento no Brasil e na Itália em perspectiva comparada. O Gráfico 4 ilustra essas informações (os Gráficos 4, 5 e 6 seguem uma escala logarítmica).

 

GR4

 

Infelizmente, o cenário não é animador. Assim como na Itália, a velocidade de transmissão da COVID-19 no Brasil também está acelerada. 

E o que dizer sobre a mortalidade? Em números absolutos, a Itália lidera, com 4.825 vidas perdidas. China (3.261), Espanha (1.725) e Irã (1.685) também já ultrapassaram o patamar de mil mortes.  Como esperado, quanto maior o número de casos diagnosticados, maior a quantidade de mortes. A natureza desagregada dos dados permite visualizar essa relação. O Gráfico 5 ilustra a correlação entre o número de ocorrências e a mortalidade, por país. 

GR5

Como esperado, o nível de associação entre as variáveis é bastante forte (r = 0,833). Em particular, um aumento em 1% na quantidade de casos diagnosticados está associado a um incremento de 0,75% na quantidade de mortes. É o que os economistas chamam de elasticidade. Os Gráficos 6 e 7 apresentam a quantidade esperada de casos diagnosticados e de mortes no mundo até o próximo domingo (29/03/2020).

 

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Nossas estimativas indicam que a quantidade de pessoas infectadas no mundo deve ultrapassar a marca de 500.000 antes do próximo sábado (entres os dias 26/03 e 27/03).

 

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A quantidade de mortes deve passar de 30 mil até o próximo domingo. Fim do artigo: 322.572 casos registrados e 13.746 mortes, às 13:50 do dia 22/03/2020. Aumento de 1,65% na quantidade de casos e 0,76% no número de mortes. É o que o nosso presidente costuma chamar de fantasia.

Dalson Britto Figueiredo Filho é professor-assistente de Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

 

NOTAS

 

[i] Todos os dados utilizados estão disponíveis em: <https://ourworldindata.org/coronavirus-source-data>.

[ii] Ficou na dúvida, veja aqui: < https://arte.estadao.com.br/ciencia/novo-coronavirus/monitor-pandemia/?utm_source=facebook:newsfeed&utm_medium=social-organic&utm_campaign=redes-sociais:032020:e&utm_content=:::&utm_term=>.

[iii] Ver: <https://www.worldometers.info/coronavirus/>.

 

 

 

 

 

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