Operação secreta desmascara "médium" nos Estados Unidos

Apocalipse Now
30 mar 2019
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Susan Gerbic, Thomas John e Mark Edwards
Susan Gerbic, Thomas John e Mark Edward

Nota do Editor: No fim de fevereiro, o jornal The New York Times publicou reportagem mostrando como um grupo de céticos havia se organizado para demonstrar que alguns "médiuns" profissionais vinham obtendo as informações sobre os vivos e os mortos que apareciam em suas sessões espirituais não por meio de telepatia ou do contato com o Além, mas do Facebook. Susan Gerbic, a principal idealizadora das operações de infiltração que expuseram as fraudes, relata, no artigo abaixo, o desenrolar de uma delas. 

 

Seguindo a tradição da Operação Bumblebee e Operação Ice Cream Cone, eis aqui a Operação Pizza Roll. Okay, parece um tanto dramático e ingênuo, mas posso lhes assegurar que se trata de algo muito sério. Também sugiro que vocês dediquem alguns minutos para se familiarizar com as outras operações antes de prosseguir, isso garantirá uma melhor compreensão do que vou relatar aqui.

Antes de descrever os objetivos, operação e resultados, gostaria de explicar a diferença entre leitura fria e leitura quente. Durante uma leitura fria, o médium não conhece você, mas “lê” sua linguagem corporal, aparência e reações a constatações genéricas que geralmente encaixam em qualquer pessoa, como por exemplo “Você sempre quis escrever um livro” ou “Seu pai costumava dizer coisas que lhe deixavam envergonhado quando você era criança”. A leitura fria pode ser feita por telefone, por mensagem, e com muito mais sucesso, em pessoa. Não interessa o quanto você se esforce para não dar feedback para um médium, você vai acabar fazendo isso sem querer.

Já em uma leitura quente, o médium obtém informação prévia sobre você. Alguém pode ter ouvido uma conversa sua na sala de espera, algum amigo que sugeriu que você procurasse aquele médium pode ter fornecido informações suas, ou alguém viu você estacionar seu carro na garagem, e tantos outros métodos. Possivelmente a equipe do médium tem seu nome e fez uma busca no Google, ou uma busca reversa por imagem. Ou ainda, você pagou com cartão de crédito ou PayPal, e eles acharam informações sobre você nas mídias sociais. Existem muitas maneiras de obter uma leitura quente.

Conseguir pegar um médium fazendo leitura quente é muito difícil. A maior parte que eu tive contato geralmente faz leitura fria. Com prática e prestando atenção a detalhes, virtualmente qualquer um é capaz de fazer uma boa leitura fria. As operações Bumblebee e Ice Cream Cone foram ataques elaborados para pegar um médium fazendo leitura quente, mas em ambos os casos, só conseguimos provar que faziam leitura fria.

Se perguntarmos a um perito em médiuns como Mark Edward, ele dirá que médiuns em geral são preguiçosos, especialmente quando estão lendo grupos. Aproveitando-se da lei da probabilidade das grandes amostras, se um médium no palco arrisca uma afirmação vaga para uma audiência de 200 pessoas, alguém vai se identificar com a leitura. Se o médium começar a falhar, ele simplesmente passa para a pessoa mais próxima e continua o jogo.

Pessoas como eu e Mark Edward, que cultivam interesse em médiuns há anos, sabem que, com a invenção das mídias sociais, como vias abertas para obtenção de informação, leituras quentes de repente ficaram acessíveis. Na verdade, se um médium tentando ser super pop, que ainda não está ganhando somas de seis dígitos, não se aproveita da internet, ele está perdendo uma grande oportunidade de elevar os seus “acertos” ao nível máximo – não importa o quanto isso possa soar desagradável aqui.

Compre seu ticket para ver o médium, compartilhe no Facebook ou Twitter e, em segundos, o médium já fica ligado no seu feed de notícias, e no conteúdo que você disponibiliza ali. O médium precisa apenas de alguns deslumbrados na audiência para fornecer os suspiros de admiração e fazer transbordar as vendas e as leituras privadas, que é onde o dinheiro está.

Quanto maior a audiência, mais fácil para o médium esconder a leitura quente, e mais difícil pegá-lo no pulo. É preciso controlar a informação. Talvez a sua vovó também leia sua página do Facebook no além e saiba que há dois dias você perdeu a chave do carro. Só porque você escreveu sobre isso no Facebook não é evidência suficiente de uma leitura quente. O médium pode alegar que leu sua mente, ou que sua avó veio do além para contar. E claro, ele pode ter lido no Facebook. Mas você não tem como provar. Para um ataque efetivo, é preciso ter um protocolo rígido e controles definidos.

O canal BBC3 fez um ataque excelente em três médiuns em 2007. Eles inventaram uma história falsa sobre um estabelecimento, fizeram uma newsletter e um site e colocaram uma placa e uma foto para tornar a lorota mais convincente. Todos os três médiuns caíram, e foram expostos durante a filmagem, o que fez muito sucesso na TV. Mas os médiuns podiam ter alegado que conseguiram essa informação das mentes da equipe de filmagem e dos organizadores. Todo mundo no local sabia da história falsa. Esse ataque não usou controles bem definidos, que chamamos de “cegar” os participantes.

Pegar alguém no pulo durante uma leitura quente significa controlar o ataque, de maneira que as pessoas que estão sendo “lidas” não saibam nada sobre a informação disponível online, ou seja, estão “cegas”. Na operação Pizza Roll, foi exatamente o que fizemos, e funcionou como um relógio.

Pegar um médium fazendo leitura quente era um dos meus principais objetivos, mas ainda mais importante do que isso, era estimular a comunidade cética e incentivá-los a fazer ativismo!

Eu também precisava garantir que meus voluntários compreendessem que teríamos que criar exatamente a mesma ficção descarada utilizada pelos médiuns: combater fogo com fogo. Por mais desagradável que pudesse ser para nossos bolsos, teríamos que arcar com alguns custos. Até poderíamos ter comprado os ingressos mais baratos, de US$ 65, mas essas pessoas não são “sorteadas” para leituras. Nossa única chance seria com ingressos VIPs.

Queríamos parecer desesperados em nosso sofrimento, e também queríamos passar por pessoas que não estão preocupadas em pagar as contas no final do mês. O médium sempre quer que seus clientes sejam crédulos e abastados. Neste caso, cada ingresso custou US$ 125. Meu time entendeu que não poderíamos expor o médium ali no local, e que era possível que nossa conduta fizesse com que os demais presentes saíssem de lá ainda mais convencidos dos poderes do médium, já que teríamos que concordar com tudo que o médium nos falasse.

Mark Edward concordou em me acompanhar ao evento. Um homem solteiro na plateia seria muito suspeito, já que a plateia costuma estar repleta de mulheres, e os poucos homens costumam estar com suas esposas. Edward e eu nos tornamos Sr. e Sra. Wilson. Sete voluntários internacionais, Edward e eu, discutimos o plano em nossa comunidade secreta no Facebook: Operação Pizza Roll.

Tínhamos apenas uma semana para nos preparar. Nas operações anteriores, levamos meses nos organizando. Nós reaproveitamos antigos perfis da operação Bumblebee, alteramos os nomes e as fotos, e o time de voluntários (os Pizzarollers), criaram uma comunidade ultra-secreta no Facebook, à qual Edward e eu não tínhamos acesso.

Em algum momento, os Pizzarollers decidiram que Susanna iria procurar um médium. Ela viu um anúncio no Facebook sobre Thomas John – o médium de Manhattan, e o marcou. Os voluntários discutiram entre eles sobre ir ao evento, e marcaram o médium novamente. Marcá-lo no Facebook avisa o médium de que há pessoas interessadas em comparecer ao evento, e permite que ele siga nossas mídias sociais. As mídias sociais que foram criadas pelo nosso grupo, exclusivamente para os olhos do médium.

Os pizzarollers criaram narrativas detalhadas para Mark e Susanna Wilson, compartilharam vídeos de gatinhos, fizeram check-in em restaurantes, e fizeram todo o possível para parecer usuários normais de Facebook.

Rapidamente, criaram o conto de que Susanna estava estressada com a perda recente de seu irmão gêmeo Andy, que morreu de câncer de pâncreas em 2016. Mark estava chateado por não ter se despedido de seu pai, falecido há anos, vítima de uma cardiopatia. Mark estava preocupado se poderia ter herdado a doença.

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Heather Mulldorfer – Puxa, como eu queria ir! Deixa eu ver se consigo!

Heather Mulldorfer – vc vai com o Mark?

Susanna Forsyth-Wilson – com certeza!

Heather Mulldorfer – Queria muito ir. Te mando msg.

 

Michael Fillipovic – Imagina que legal se o Andy aparecer? Acho que da última vez, logo depois que ele morreu, era muito cedo...Acho que o médium não sabia conseguiu se conectar, mas talvez porque era muito recente. Vc sabe que sou meio cético com essas coisas, mas não fique triste se o Andy não aparecer. Todo mundo sabe que a ligação entre gêmeos é a mais forte que existe, ele deve estar te procurando.

Michael Fillipovic – Susanna, eu vou perguntar no meu grupo se alguém já fez uma leitura com esse médium, é o Thomas John: médium de Manhattan, certo?

Vicky Lynn Johnson – querida, estou torcendo muito para que esse cara consiga te ajudar a chegar no Andy! Essa ligação entre gêmeos é muito forte, certeza de que ele ainda está com vc!

Vicky Lynn Johnson – Hey, estava pensando, e se você escutasse algumas músicas do Andy antes da leitura? Deve ajudar a abrir os canais um pouco. Ele adorava escutar Born to Run no carro, sempre lembro dele qdo escuto!

Michael Fillipovic – Detesto essa musica!

Susanna Forstyh-Wilson – ótima ideia!!!

Jonnie Noor – Isso parece bem legal, pena que não consigo nesse dia. Vamos nos ver depois!

Susanna Forsyth-Wilson – Te mando mensagem!

 

Isso era tudo o que sabíamos quando sentamos na área VIP aquela noite em Março de 2017. Por precaução, Edward e eu estávamos usando alguns itens que possibilitariam ao médium uma leitura fria. Edward usava um broche de lapela da Marinha americana e eu usava um broche escocês. Também estávamos de aliança nos dedos.

Havia aproximadamente 50 pessoas no local. Nós estávamos na terceira fileira, com outros 15 VIPs. O médium permaneceu de olhos fechados no palco por duas horas, quase sem se mexer. Ele não fazia intervalos, e quando sentia que alguém do outro mundo estava tentando se comunicar, sempre tinha alguém na plateia que se identificava com a leitura e mordia a isca. Quando isso acontecia, essa pessoa ganhava um microfone. Todos da plateia tinham permissão para gravar um áudio das leituras. Após um momento de imersão em prece religiosa, estávamos prontos. Essa desculpa para um momento de fé parecia ser mais um tranquilizador para os religiosos da plateia do que uma tentativa de injetar espiritualidade.

A primeira leitura foi na última fileira, e todas as afirmações eram acertos perfeitos. Era estranho como as afirmações eram precisas. Era tudo perfeito demais! Edward me lançou um olhar conspiratório. A segunda leitura eu preciso mencionar porque foi bem do nosso lado, e também muito específica. A senhora de verde contemplada (que será mencionada mais adiante) estava enxugando as lágrimas com um lenço de papel durante toda a leitura. Edward me disse que ela não estava realmente chorando. E então chegou nossa vez.

Ele disse “Estou sentindo um irmão gêmeo”, então eu timidamente levantei a mão, e me trouxeram o microfone. Ele me perguntou se era meu irmão Andy, que tinha morrido de câncer de pâncreas há pouco tempo. Eu balbuciei que “sim”, e procurei lencinhos de papel para enxugar as lágrimas, fingindo estar muito abalada pelo momento emocionante de ter notícias do meu irmão gêmeo de mentirinha recentemente falecido. Edward precisava me abanar ocasionalmente. Que marido amoroso!

Nossa leitura durou 15 minutos, com direito ao “pai” do Mark, falecido há anos vítima de cardiopatia. O médium comentou que Mark estava realmente estressado sobre o resultado dos seus exames médicos, que ficariam prontos em uma semana. Disse-lhe que parasse de se preocupar obsessivamente, porque algo estava prestes a mudar, e para prestar atenção aos conselhos dos médicos. Tudo isso nós já sabíamos.

Mas então o médium começou a falar de coisas que não fazíamos ideia. Quem diabos era Buddy? Eu respondi que tanto meu pai como meu irmão tinham esse apelido. Na verdade era meu cachorro labrador que tinha morrido, e toda hora ele mencionava um Steve, mas nós só nos enrolamos nas respostas. Acabei dizendo que conhecíamos vários Steves, e que podia ser um amigo próximo do meu irmão. Depois descobrimos que era o pai do Mark. Quem era Maria?

Eu chutei que era namorada do Andy, mas era sua esposa, e ela segurava uma caixa que eu precisava pegar com ela! Quem havia fumado, largado, e depois tinha voltado a fumar? Seria meu irmão Andy? Aliviada por estar sendo induzida a responder, concordei que sim. Aparentemente, Andy se conectaria comigo através da música que partilhávamos. Qual era a conexão com Michigan? Eu não fazia ideia, então eu disse que nós moramos lá uma época. Andy no outro mundo estava cercado de cães.

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Susanna Forsyth- Wilson está se sentindo animada!

Tanta coisa pra fazer antes de hoje à noite! Estou meio nervosa. Espero não estar alimentando falsas esperanças...

Michael Fillipovic – Não dá pra não ficar nervosa mesmo, imagina se o Andy aparece, ou o pai do Mark, ou até mesmo o Buddy!!! Se bem que aquele labrador preto era o cachorro mais burro que eu já vi e nunca vinha quando a gente chamava, então acho que não rola kkkkkk.

Michael Fillipovic – Querida, não me leva a mal, ok, só estou tentando fazer vc dar risada...Sei que vc quer muito falar com seu irmão gêmeo mas essas coisas nem sempre acontecem do jeito que a gente quer...

Susanna Forsyth-Wilson – Se bobear ainda tenho umas roupas com pelo do Buddy aqui em casa...

Heather Mulldorfer – Não esqueça de abrir a mente e escutar Born to run! Lembra aquela festa de Natal com todo mundo bêbado e jogando “air guitar”? Haha, ainda lembro da sua cara! Torcendo pra vc ter uma ótima noite lá. Não consigo ir mas fica de olho se de repente tem uma mensagem pra mim. Mas essa noite é sua e do Mark! Xxx

Susanna Forsyth-Wilson – pena que vc não vai. Estou super ansiosa agora que está chegando perto. Vou ficar bem atenta e bem quietinha, se tiver qualquer mensagem eu quero escutar! Nada de air guitar antes da leitura, mas quem sabe depois! :)

Susanna Forsyth-Wilson

Acabei de me candidatar a “Fã numero 1 da semana”, votem em mim!!!!!!!

 

Isso continuou com mais alguns detalhes chegando, nós não fazíamos ideia do que estava nas páginas do Facebook, então também não tínhamos ideia do que ele conseguiu obter de informação além do que os Pizzarollers disponibilizaram. Nós sabíamos que havíamos deixado o médium confuso. Afinal, como eu poderia não saber que meu amado cãozinho se chamava Buddy? E como Edwards não sabia o nome do próprio pai? Nós passamos por essa fase da leitura aos solavancos, mas neste momento já havíamos comprovado que realmente não sabíamos nada do que estava no Facebook, e o médium sabia tudo. E a única maneira que ele poderia ter acessado essa informação era pelo Facebook.

Horas depois, pudemos contar aos Pizzarollers o que o médium disse e enviar-lhes o áudio da leitura. Eles compartilharam prints das páginas mostrando como o médium acertou nossas biografias falsas. Muitas das afirmações do médium confundiram nosso time, e eles começaram a procurar em outras contas do Facebook, e acabaram descobrindo postagens que nem lembravam de ter feito, como por exemplo, uma em que Andy havia feito um evento quando parou de fumar em 2013, e outro em que alguém lhe dava os parabéns pelo casamento com Maria.

A menção ao Michigan, no entanto, estava realmente confusa! Um dos pizzarollers finalmente achou uma foto, uma foto aleatória, que alguém tinha colocado lá só para preencher espaço. Era uma construção em um parque, e a legenda dizia “Frenchman Creek, Cornualha”. O médium perguntou se eu tinha alguma conexão no exterior, e eu disse que sim mas não fui específica. No final das contas, se você der um Google em Cornwall Creek, vai descobrir que fica no Michigan!

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Andy Forsyth

Parou de fumar

 

O ingresso VIP dava direito a um encontro com o médium com duração de 20 minutos, onde também receberíamos uma cópia gratuita do seu livro mais recente, “Nunca discuta com os mortos: estórias verdadeiras e incríveis do outro lado”. Antes de levantarmos, uma senhora da plateia veio conversar e comentou como foi incrível alguém da nossa família ter vindo se comunicar conosco. Perguntei se ela também tinha conseguido uma leitura essa noite, ela disse que sim, e estava encantada, porque desta vez sua avó apareceu, o que não tinha acontecido na ultima vez. Por que será? Sim, ela também ganhou uma leitura quente. Ela disse que, na outra ocasião, tinha ido a um evento pequeno, e todas as 10 pessoas presentes tinham ganhado uma leitura pouco tempo antes. Ela nem suspeitava de nada. Foi muito triste vê-la tão envolvida no esquema.

Durante a sessão de autógrafos, todos ganharam um exemplar do livro, e ele perguntou nossos nomes para fazer a dedicatória. Quando ele se aproximou da senhora de verde que mencionei antes, a que fingia chorar durante a leitura mediúnica, ela  brincou com o autor para “não errar o nome desta vez”. Achamos estranho o médium não perguntar o nome dela, embora tenha perguntado o de todos os demais.

Após receber nossas dedicatórias, para Susanna e Mark, e uma selfie com o médium, perguntei se havia outros médiuns que ele respeitava. Ele mencionou alguns nomes que não conhecíamos. E então, disse que alguns estudantes eram muito promissores. “Estudantes”? , perguntei. “Você tem estudantes?’ Ele apontou para duas mulheres que estavam conosco na área VIP. Uma delas era a mulher de verde. UAU! Parece que o médium realmente tinha uma ótima trainee. Entre os mentalistas, isso se chama comparsa. Ninguém na sala percebeu.

O médium fez cerca de dez leituras em duas horas. Quatro foram leituras quentes. Não temos certeza sobre as outras seis. Devo dizer que, logo no início do show, o mestre de cerimônias que apresentou o médium disse: “Que bom ver tantos rostos familiares na plateia”.

No dia seguinte ao evento, ao examinar o áudio do show e as paginas do Facebook, os Pizzarollers acabaram descobrindo que o médium tinha ficha criminal. Aparentemente, ele era um artista performático em Chicago, com o nome “Lady Vera Parker”, em 2009, quando foi preso por receber empréstimos dando como garantia propriedades que não eram dele.

Tinha diversos pseudônimos, e segundo o site 800Notes, a policia de Chicago estava procurando mais pessoas que pudessem ter sido vítimas de seus golpes. Eu liguei para o número no site, e era realmente o departamento de polícia de Chicago. Encontramos vairas outras menções em sites de fofocas que falavam do seu histórico criminal e outras ocorrências. Em 2016, o New York Daily News reportou que uma empresa de relações públicas na Califórnia estava processando Thomas John por falta de pagamento. A reportagem diz que a empresa ZTPR havia sido contratada para “ajudar a construir e exacerbar o perfil público de Thomas John como um médium”.

Existem também avaliações no site “Yelp”, algumas com cinco estrelas, outras com apenas uma. Muitas avaliações mencionam que a informação recebida no show era resultado de uma busca na internet sobre a pessoa que comprou os ingressos. Outros diziam que “não tinha como ele saber toda a informação que revelou no show”, nossa frase preferida e que ouvimos com frequência! Alguns até alegavam que não postavam tanta informação assim nas mídias sociais, então não tinha como o médium ter tirado dali.

Uma coisa realmente muito estranha aconteceu comigo alguns dias após o evento. Não tinha dito a ninguém o nome do médium, mas falei sobre o sucesso da operação no meu perfil do Facebook. Mas sem dizer o nome dele, como ele iria olhar na minha página pessoal? E ainda, o post era restrito a amigos. De repente, eu recebo um tweet do médium no meu perfil pessoal com meu nome verdadeiro, Susan Gerbic. Era apenas um coração! Ele quis me mandar uma mensagem de que sabia quem eu era, e sabia sobre Susanna Wilson, minha personagem. Mas como? Duas opções: ou ele realmente é um médium, ou ele finalmente percebeu que quem comprou os tickets para Susanna e Mark Wilson foi a Susan Gerbic, usando PayPal!

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Obrigada, Mark Edward, por sua ajuda com este artigo

 

Chamada, carinhosamente, de Wikipediatra, Susan Gerbic é co-fundadora dos Monterey County Skeptics e uma autodeclarada junkie de ceticismo. Susan também é fundadora do projeto Ceticismo de Guerrilha da Wikipedia (GSoW, na sigla em inglês). É "Fellow" do Comitê de Investigação Cética e escreve para a coluna Ceticismo de Guerrilha com frequência. Ela pode ser encontrada em seu website.

Tradução de Natalia Pasternak. O artigo original em inglês pode ser encontrado aqui. Traduzido com permissão.

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